O Caminho de Santiago (História e atualidade)

O Caminho de Santiago, uma das rotas de peregrinação mais visitadas no mundo, continua a ser um dos lugares mais emocionantes de conhecer em Espanha.
A sua história remonta a épocas muito remotas e, atualmente, continua a receber nos seus caminhos milhares de fiéis que esperam encontrar toda a espiritualidade que estes trilhos guardam.
Os 1.600 quilómetros de mais de 1.000 anos de antiguidade que compõem o Caminho de Santiago têm um mesmo destino final: a Catedral de Santiago de Compostela, onde repousam os restos do apóstolo Santiago.

História do Caminho de Santiago
A história do Caminho de Santiago está cheia de mistérios e lendas que enriquecem o atrativo nato destes trilhos de peregrinação católica.
O apóstolo Santiago
A história oficial conta que o corpo do apóstolo Santiago, que tinha morrido cerca de 800 anos antes, foi transportado por dois discípulos até à cidade de Iria Flavia, na Galiza, num barco guiado por anjos.
Diz-se que esta rota, conhecida como o Caminho de Santiago, seria aquela que o apóstolo utilizou na sua missão evangelizadora e por isso os seus restos foram enterrados no ponto mais distante que visitou.
O corpo do apóstolo Santiago foi descoberto por um pastor chamado Pelayo num campo da Galiza e seria ele a notificar ao rei Afonso II o achado.
Ao constatar-se o facto, foi construída uma pequena capela no local onde foi enterrado o apóstolo Santiago, que décadas mais tarde se converteria na Catedral de Santiago de Compostela, um dos templos religiosos mais famosos de Espanha.
O imponente edifício religioso, um dos mais belos da Europa, atrai atualmente milhares de visitantes à cidade de Santiago de Compostela, capital da comunidade autónoma da Galiza.
Santiago de Compostela
O Caminho de Santiago foi vital para o desenvolvimento da cidade onde se encontra o ponto final dos trilhos. A cidade de Santiago de Compostela, onde há milhares de anos se assentou uma vila romana e que mais tarde foi conhecida como o Santuário de Santiago Maior, continua a ser um dos destinos mais importantes da Europa.
Hoje, Santiago de Compostela é a capital da comunidade autónoma da Galiza e o valor das suas ruas históricas foi reconhecido como Património Mundial pela UNESCO.
O Caminho de Santiago, para além de todo o aspeto religioso que o envolve, foi determinante para a política devido à grande quantidade de fiéis que viajavam pelo norte da Ibéria e se estabeleciam no caminho, formando vínculos culturais com o resto da Europa.

Finisterra
Mesmo antes de se conhecer a rota de peregrinação do Caminho de Santiago, os seus trilhos já tinham história.
Antes mesmo do século VIII, os peregrinos já eram atraídos por este caminho que seguia a Via Láctea para chegar a Finisterra ou, como se acreditava nesses tempos, ao "fim do mundo".
Os caminhos
Com a construção da catedral começou a idade de ouro para as peregrinações do Caminho de Santiago.
No início, as rotas mais seguras para chegar ao lugar onde repousam os restos do apóstolo Santiago eram o Caminho do Norte e o Caminho Primitivo, sendo este último o mais antigo e o que utilizaria o rei Afonso II no século IX na primeira expedição.
Um pouco mais tarde surgiu o Caminho Francês, utilizado pelos reis Sancho, o Grande, e Afonso VI, que atravessa os territórios de Navarra e Leão, depois de recuperados da influência dos mouros.
Os reis desenvolveram mosteiros, hospitais e estruturas importantes para proteger os peregrinos do Caminho de Santiago e até privilegiavam as populações que se assentavam nesta rota, que se tornou a mais popular.
No século XII foi escrito o primeiro guia para os peregrinos do Caminho de Santiago, o Codex Calixtinus, demonstrando a importância da primitiva rota na atualidade.

O caminho da salvação
Nos séculos XII e XIII o Caminho de Santiago recebia cerca de 250 mil peregrinos por ano. Alguns eram chamados a este lugar pela sua fé católica, mas existiam também outras razões.
Alguns peregrinos percorriam os trilhos do Caminho de Santiago para procurar uma salvação segura e outros para cumprir penitências.
Outro bom motivo que impulsionava o enorme número de pessoas a visitar o caminho nesta época era a "promessa de salvação". Quando a 25 de julho, dia de São Tiago, caía num domingo, o Papa Calisto II declarava "anos santos".
O Caminho de Santiago na modernidade
Em 1990, o Caminho de Santiago teve um grande ressurgimento graças à promoção turística deste destino e aos esforços de fiéis ao caminho como o pároco de O Cebreiro, Elías Valiña, que trabalhou em busca de uma nova época dourada desta rota.
Atualmente, o Caminho de Santiago continua a ser uma rota de intercâmbio cultural e de entendimento entre os cidadãos da Europa que continuam a visitar os seus trilhos.
Nos anos 80, apenas 1.245 peregrinos visitaram Santiago de Compostela, mas os números ultrapassaram os 100.000 em 1993, quando foi declarado pela UNESCO Património Mundial.
Em 2010, o seu ano santo, os visitantes do Caminho de Santiago alcançaram os 270 mil peregrinos.
Atualmente, o Caminho de Santiago continua a ser um destino impressionante que combina a história e a espiritualidade.
Existem muitas agências com pacotes que aproximam turistas de todo o mundo deste ponto da Terra.
Além das rotas do caminho, a Catedral de Santiago de Compostela e o centro histórico da cidade oferecem muitos outros atrativos que ligam uma grande quantidade de pessoas ano após ano.
Os caminhantes e peregrinos do Caminho de Santiago continuam a contar a maravilhosa viagem por estes primitivos trilhos que se ligam ao mais antigo da nossa história como civilização.

