História dos Pastéis de Belém: os clássicos doces portugueses

Se fez alguma rota pelo Porto ou por qualquer ponto de Portugal, sem dúvida cruzou-se com os famosos Pastéis de Belém. Expostos em todas as montras das pastelarias, com as suas crostas folhadas, recheios de creme e topos cuidadosamente caramelizados. Em todos os lugares de Portugal os podemos encontrar. São baratos, deliciosos e absolutamente omnipresentes. A seguir, vamos conhecer a história dos Pastéis de Belém e porque se tornaram tão famosos no país.
História dos Pastéis de Belém
Se quer mergulhar na história dos Pastéis de Belém e nos detalhes desta delícia açucarada, veio ao lugar certo. Quando souber a sua história e o seu significado cultural, pensará duas vezes antes de os devorar em duas dentadas. Um doce tão simbólico e histórico como este merece ser saboreado.
O que são os pastéis de nata?
Estes pastéis de nata são uma pastelaria tradicional portuguesa que se pode descrever como uma espécie de tarte de ovo. Parecem-se um pouco com pequenos ninhos, com uma espessa camada exterior de massa folhada e um recheio de rico creme amarelo. O topo do creme está caramelizado, com manchas castanho-escuras ou pretas e uma textura ligeiramente diferente do recheio que está por baixo.
O termo "pastéis de nata" é uma expressão portuguesa que significa precisamente "pastéis de creme". Pastéis é o plural da palavra "pastel", por isso, se ouvir ou ler "pastel de nata", refere-se a um único doce em vez de vários.
E os Pastéis de Belém?
Os pastéis de nata também são por vezes chamados pastéis de Belém. Mas qual é a diferença e porquê dois nomes? Tudo se resume ao tempo, ao lugar e à história dos Pastéis de Belém. O sítio mais famoso para comer pastéis de nata em Lisboa é o bairro de Santa Maria de Belém, e mais especificamente a Fábrica de Pastéis de Belém.
Alguns dirão que os pastéis feitos na Fábrica estão numa categoria própria e que, por isso, os dois nomes designam coisas diferentes. Mas a explicação mais simples é que pastéis de nata é o termo genérico, enquanto pastéis de Belém se popularizou devido ao prestígio desta pastelaria em particular. Apesar de este último se referir tecnicamente aos aqui fabricados, usa-se muitas vezes como sinónimo de pastéis de nata em geral.
Onde se fazem os pastéis de nata?
Aprofundando a história dos Pastéis de Belém, há outra razão pela qual os pastéis de nata são por vezes chamados pastéis de Belém: foram inventados nesta zona de Lisboa. Segundo a história, os monges do Mosteiro dos Jerónimos de Belém foram os primeiros a fazer e a distribuir as icónicas tartes de ovo. Os monges usavam as claras dos ovos para engomar roupa e tecidos, e ficavam com um excesso de gemas. Em vez de as desperdiçar, usavam-nas muitas vezes para fazer pastéis e bolos.
Mosteiro dos Jerónimos
Continuando com a história dos Pastéis de Belém, após a Revolução Liberal de 1820, os monges depararam-se com um problema. Em todo o Portugal, as instituições religiosas estavam a ser encerradas e quase não tinham financiamento. Para arranjar algum dinheiro extra, começaram a vender pastéis de Belém.
Por fim, o mosteiro acabou por fechar, e nesse momento os monges venderam a receita à refinaria de açúcar local. Percebendo a mina de ouro que tinham nas mãos, os proprietários da refinaria abriram a Fábrica de Pastéis de Belém em 1837… e o resto é a história dos Pastéis de Belém.
Como se fazem os pastéis de nata?
Os pastéis de nata são certamente um prazer simples: massa amanteigada, creme aveludado, e pouco mais. No entanto, exige-se muito mais esforço e experiência do que se possa esperar para conseguir o pastel ideal.
Elaboração da crosta perfeita
Em primeiro lugar, há a massa que forma a crosta do pastel. Se já tentou fazer os seus próprios pastéis, sabe quão delicado pode ser este processo. Depois de misturar os ingredientes, tem de trabalhar a massa até obter a consistência certa, juntando manteiga à medida que avança para criar a textura perfeita.
Isto leva tempo e não há atalhos se quiser ficar com o verdadeiro. Os cozinheiros amadores podem ter a tentação de usar massa folhada comprada, mas o resultado, ainda que continue saboroso, não será tão impressionante nem autêntico.
Recheio com ingredientes essenciais
Depois de aperfeiçoar a massa, é tempo de fazer o recheio. Isto implica misturar alguns ingredientes essenciais: farinha, leite, açúcar, canela, baunilha e, claro, gemas de ovo. Mas não pense que basta deitar tudo numa tigela, bater e dar por terminado. Criar um creme que seja simultaneamente aveludado e leve é um processo delicado, que envolve um aquecimento e uma sincronização cuidadosos.
Cozedura e montagem
Feito isto, os pastéis são montados e cozidos. É aqui que a magia acontece: o recheio engrossa, a crosta fica crocante, e aquelas distintivas manchas castanho-douradas surgem no topo do creme. Saídos do forno, são polvilhados com canela e açúcar em pó. E assim, sem mais, nasce a estrela das pastelarias de Portugal.
Se não conhecia a história dos Pastéis de Belém, esperamos que na sua próxima rota pela Galiza ou por Portugal, não hesite em provar uma destas iguarias portuguesas para completar a sua visita.

